Eu amo este médico

Estetoscópio, Martelo, Injeção de Médico com moldes Álbum 6----página Eu Amo Artesanato Disse o apóstolo Paulo a Timóteo: NÃO repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos; Eu tava tão irritada com meu namorado que não havia prestado atenção ao dr. Pois bem...entrei e ao sentar vi que é um médico lindo, jovem...babei até fiquei calma kkkk conversamos sobre o meu problema dai chegou meu namorado. 25-jul-2014 - consultórios médicos Eu Amo Arquitetura Eu me amo, eu me cuido! O desejo de ser mãe é um sonho para muitas mulheres, assim como sempre foi pra mim, desde antes de ser portadora do vírus HIV. Esse sonho vale também para mulheres soropositivas assim como eu, já que toda pessoa, independentemente de viver ou não com hiv/aids, tem direito de decidir se quer ter filhos ou não ... Sobre. Formado pela Universidade Federal da Bahia em 2014, atuo como clínico de cães e gatos na região Metropolitana de Salvador. Além do atendimento médico veterinário, atuo também na gerencia do hospital veterinário Eu Amo Animais, na cidade de Lauro de Freitas - Bahia. «Estoy yendo en este momento a la UTI debido al empeoramiento de mi cuadro por covid-19. Estaré incomunicado, pero desde ya agradezco a los amigos por sus oraciones. Me contagié haciendo lo que amo, cuidando de mis pacientes con amor y dedicación. Lo haría de nuevo. Pensando em uma amiga que é mais apaixonada que eu, resolvi falar, hoje, do nosso querido Sukinho, Lee Jong Suk. Um rapaz deliço de 1,86m e uma boca incrivelmente sexy, que faz babar a mais distraída das moças. - queria eu, uma boca dessas no meu cangote! Eu sei e amo pessoas trans, mas apagar o conceito de sexo biológico elimina a capacidade de muitas pessoas de analisar o significado de suas vidas. Dizer a verdade não é discurso de ódio.' Eu me amo, eu me cuido! HIV – EU ME AMO, EU ME CUIDO. ... fiz amizades com outros soropositivos e parei de pensar sobre o que outras pessoas que não tem este vírus pensam e comecei a pensar no que nós, os soropositivos pensam. ... Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. ... Como eu amo esta mulher! por Graci Portella 10 de maio de 2019 1 Comentário Este texto é sobre a Dona Ana, dedicado a todas as mulheres que amam alguém como um filho.

Para você, quais são as fontes do sofrimento humano?

2020.08.02 18:38 Brudsau Para você, quais são as fontes do sofrimento humano?

Vou fazer um post relativamente grande, mas Oscar Wilde, mais esperto do que eu, pode resumir bem:
Há somente dois tipos de tragédia na vida: uma é não conseguir o que se quer, há outra é conseguir.
Dito isso, para mim há três fontes de sofrimento, duas relacionadas com a primeira tragédia (não conseguir o que se quer) e uma com a segunda tragédia (conseguir o que ser quer).
Leis da física: a nossa eventual morte, dos nossos amados, da civilização e, no fim, do próprio universo é uma certeza matemática, relacionada com a Segunda Lei da Termodinâmica, e, como tal, é indiferente aos nossos esforços médicos, sociais e filosóficos. Dando um passo atrás, o envelhecimento, a doença, a decadências de nossa estética e mentalidade também é determinística. Isso, além de nos amedrontar na madrugada, fundamentalmente limita nossas experiências, ações e sonhos. Não vou ver o cometa Halley passar em 2136, meu avô não verá o próximo eclipse total da lua, não vou poder passar 150 anos desfrutando da companhia da mulher que amo. Este é o sofrimento oriundo de sermos materiais.
A liberdade alheia: em nossa convivência, necessitamos dos outros, por razões práticas ou vitais. Precisamos do padeiro, do açougueiro, da mãe, do marido, da esposa, do amigo. Até certo ponto, podemos, por meio do dinheiro, comprar a ajuda alheia e, por meio do poder, forçá-la. Contudo, isso, além de muitas vezes imoral, também é limitado. Não é possível comprar nem forçar, por exemplo, amor verdadeiro, daquele resistente à adversidade e mudanças: pode-se usar do dinheiro para ter um marido/esposa troféu ou mesmo ameaçar alguém para permanecer casado, mas o sentimento em si é total propriedade daquele que sente. Igualmente, também não podemos salvar ninguém: se uma pessoa decide fumar, beber ou se acabar em outras drogas, pode-se dar tratamento, carinho e companhia, mas a decisão de alterar o próprio quadro é, fundamentalmente, dela. Perdemos pessoas que nos são caras e necessárias por decisões livres delas, de nos deixar ou de deixar elas mesmas. Este é o sofrimento oriundo de sermos sociais.
A nossa própria liberdade: por sermos seres materiais e sociais, temos necessidades. As mais básicas, como água, comida e segurança, instintivamente buscamos e, com sorte, conseguimos. Todavia, existem algumas necessidades mais complexas e sutis de se conseguir: autoestima, amor, realização pessoal, boa nutrição, estabilidade emocional, etc. Via de regra, não sabemos como alcançar êxito nesses assuntos. No lugar, vivemos nossas vidas de maneira caótica e despretensiosa, realizando nossas preferências e vontades, aquilo que queremos, as quais tem pouco ou nada a ver com aquilo que realmente precisamos Escolhemos, diariamente, destruir-nos e nos afastar de nosso potencial humano. Este é o sofrimento de ser consciente.
submitted by Brudsau to brasil [link] [comments]


2020.06.29 20:20 throwaway2159861 Fracassei em todos os aspectos da minha vida

Boa tarde, estou precisando desabafar e resolvi contar aqui grande parte da minha história e talvez fazer uma auto-análise. Imagino pelo que vi e vivenciei que é possível que muitas pessoas se identifiquem com os assuntos que eu vou falar, então pode até ser uma leitura interessante.
Antes de começar, recomendo essa música pra quem por ventura vier a ler o texto abaixo. Ela não tem nada de especial, mas eu gosto bastante dela.
https://www.youtube.com/watch?v=7NLvmr7zpso
Pois bem, atualmente tenho 28 anos, quase fazendo 29 e estou terminando a minha segunda faculdade. Provavelmente algumas coisas em relação a datas serão confusas pois além da minha memória ser bastante ruim, ela se restringe aos últimos 5 anos da minha vida. Então, as últimas memórias que eu tenho são da copa de 2014 no Brasil onde consegui assistir a alguns jogos. Eu não sei se isso é neurológico, mas estou pra ver isso tem alguns anos já. Antes que perguntem, eu tenho memórias de situações anteriores, mas em vez de lembrar do fato em si eu me lembro de alguma outra pessoa me contando, então é uma espécie de memória de segunda mão.
Enfim, quando eu tinha cerca de 10 anos eu tive depressão crônica e comecei a tomar medicamentos para tratar isso. Por volta dos 13~14 além do tratamento da depressão, eu comecei a ter ataques de pânico intensos, de modo que eu tive que abandonar o colégio por cerca de 6 meses pois eu não conseguia sair de casa. Também desenvolvi um distúrbio de personalidade esquizóide. Felizmente acabei não perdendo o ano pois a direção entendeu a minha situação e eu tinha boas notas, esporadicamente eu arrumava a matéria do colégio e lia em casa pra tentar aprender alguma coisa. Curiosamente um amigo meu me contou anos depois que a minha mãe por volta dessa época pediu pra ele e alguns outros amigos tentarem me convencer de ir numa excursão do colégio que seria durante um feriado prolongado.
Avançando um pouco, por volta dos 17 anos e perto de prestar o vestibular, eu não tinha a menor idéia de qual curso eu deveria escolher. Cheguei a perguntar para o meu pai se ele poderia me dar mais um ano pra escolher a carreira enquanto eu fazia um cursinho mas ele só riu e achou que eu estivesse de sacanagem. Por fim, acabou falando pra eu fazer Direito pois ele sempre achou que todo mundo deveria saber o básico das leis, além do fato de ter trocentos concursos públicos disponíveis pros graduados. Nesta época, eu já estava de saco cheio de estar indo no psicólogo e no psiquiatra com regularidade, além de ter que tomar os medicamentos todo dia. Pra ser sincero, comecei a tomar os medicamentos em dias alternados em vez de diariamente e cada vez mais fui espaçando, até o ponto de achar que eu não precisava tomar mais. Não notei mudança nenhuma no meu comportamento, apenas uma grave insônia. Depois de um tempo então revelei que eu não estava mais tomando os medicamentos para os médicos e para os meus pais e como aparentemente não fazia diferença nenhuma porque ninguém percebeu, eu só parei de frequentar o psicólogo e psiquiatra de um dia pro outro.
Como eu não sabia pra qual curso prestar vestibular, acabei acatando a idéia do meu pai, só que eu não tinha motivação nenhuma pra estudar. Aliás, eu nunca tive e sempre fiz parte da grande maioria dos alunos que estudam apenas na véspera. Para a minha grande surpresa, acabei passando no vestibular e só fiquei sabendo aos 45 do segundo tempo, no penúltimo dia da pré-matrícula quando um amigo meu veio me dar parabéns. Foi uma conversa engraçada, ele me deu parabéns mas eu não sabia pelo quê, já que eu não tinha acompanhado o resultado do vestibular pelo fato deu não ter estudado durante o ano. Foi uma grande sorte, que aliás é um tema recorrente na minha vida. Dei sorte do meu colégio dar o conteúdo inteiro durante o 1º e 2º anos do ensino médio, deixando o 3º ano apenas pra revisão da matéria toda, então querendo ou não, eu assistindo as aulas acabei fazendo uma revisão sem querer. Dei muito mais sorte do meu amigo ter me avisado, já que sem ele eu perderia a matrícula e só deus sabe o que aconteceria. Talvez eu conseguisse o meu sonhado ano pra descobrir o que eu queria fazer da vida, mas me conhecendo, acho que eu apenas procrastinaria por mais um ano.
Já no começo da faculdade eu percebi que as carreiras legais não eram pra mim. Na verdade, analisando friamente, tenho certeza de que eu seria um bom juiz, devido à minha personalidade e jeito de ser. Infelizmente nasci sem a motivação necessária para traçar objetivos de longo prazo e perseguí-los. É bem verdade que eu considero que não se nasce com isso e que é tudo uma questão de disciplina, mas não me vejo mudando isso na minha personalidade no curto, médio ou longo prazo. Talvez seja um mecanismo de defesa pra me prevenir do fracasso, afinal de contas, ninguém pode dizer realmente que fracassou se nem tentou.
Enfim, apesar de achar a área da advocacia algo bastante chato, passei a me interessar moderadamente pela área acadêmica, mais especificamente pelo jusnaturalismo. Na época da faculdade comecei a ler um pouco sobre religião comparada e sempre achei que o direito sem uma base metafísica não passa de um jogo de poder onde quem possui mais faz a lei e quem não possui apenas obedece. Até hoje tenho vontade de realizar uma pesquisa acadêmica sobre isso, mas as chances beiram a zero pois a vida acontece.
Também durante a faculdade eu comecei a ter recaídas da depressão, mas como eu já conhecia os sintomas, eu sempre tomava medidas contra a minha própria vontade para tratar o problema no início. Eu tinha que manter um horário de sono regular, fazer algum tipo de exercício físico diariamente e ter uma alimentação mais saudável. Isso realmente funciona, então se alguém estiver passando por isso, recomendo fazer isso antes de partir para algo mais radical. O problema é que isso é chato demais e eu não conseguia manter essa disciplina por muito tempo, então eu ficava alternando períodos bons e ruins. Na verdade, isso acontece até hoje, mas aos poucos fui aprendendo a lidar com isso.
Vou abrir um parêntese aqui pois pelos anos de experiência, percebo que muitas pessoas passam pelo mesmo problema que eu, sobretudo aqui que é um lugar para desabafos anônimos. Também não é um assunto fácil de conversar com as pessoas, a não ser que você tenha ótimos amigos ou uma família bem estruturada que se importa realmente com você. A minha família sempre me deu essa abertura, mas por conta da minha personalidade eu nunca fui capaz de falar nada disso com eles. Aliás, não sei nem se adiantaria alguma coisa falar com eles. Acredito que o melhor meio mesmo seja apenas ler relatos na internet de pessoas que passam por uma situação semelhante pra saber que isso não acontece só com você. Acho que isso foi o grande motivador pra eu escrever este texto.
Gostaria de falar sobre sentimentos. É bastante paradoxal, visto que eu sou literalmente analfabeto em matéria de sentimentos e não sinto quase nada devido à minha TPE. Ainda sim, acredito que ajuda bastante saber que alguém tem a mesma sensação que você, pois é algo difícil de colocar em palavras. A pior delas é justamente esse algo que não tem nome. É como se fosse alguma coisa queimando, mas não queimando num sentido físico. Está mais para uma dor na alma, ainda que paradoxalmente a dor pareça física. Desde pequeno eu sinto isso e não consigo imaginar a minha vida sem sentir isso. A melhor forma que eu encontrei de descrever essa sensação até hoje foi como se existisse um buraco negro em algum lugar aqui dentro e que ele estivesse sugando tudo, até mesmo a tristeza, só que como ela está em maior quantidade, é o que acaba sobrando pra gente, ainda que essa tristeza não seja tão intensa quanto já foi em outros momentos.
Voltando, já no meio da faculdade eu sabia que teria problemas caso eu decidisse mudar de carreira pois seria bem mais difícil a minha entrada no mercado de trabalho sem experiência e com uma idade avançada, sem contar psicologicamente, já que os meus amigos estariam numa posição mais avançada da carreira profissional e consequentemente ganhando muito mais dinheiro que eu, o que é difícil pra qualquer pessoa, ainda que você não se importe muito com isso. Eu decidi não abandonar o curso no meio pois era um curso de renome numa excelente faculdade, então ainda tive que aturar mais 2,5 anos estudando algo que eu não gostava só pra pegar o diploma no final tendo certeza que eu não iria usá-lo.
Pois bem, prestei o enem no último ano da faculdade e consegui emendar um curso no outro. Não pra minha surpresa, descobri que o segundo curso que eu escolhi também era horrível e confesso que até cogitei em voltar pra advocacia. O problema é que eu não tive nenhuma experiência profissional em escritórios de advocacia e já esqueci o conteúdo da faculdade anterior, o que basicamente me impossibilita de voltar pra carreira anterior.
Ao menos arrumei um estágio e estou ganhando um salário mínimo por mês até eu me formar, que eu espero que seja daqui a dois meses. A parte ruim é que provavelmente não vão me contratar e eu vou ficar desempregado, a parte boa é que eu odeio o meu trabalho e provavelmente não vou aguentar nem mais 1 ano trabalhando lá.
Dito isto, vamos aos problemas e ao real motivo do desabafo. De uns tempos pra cá o negócio do meu pai está indo muito mal, de modo que tivemos que pegar alguns empréstimos com o banco e o coronavírus acabou forçando o negócio a ficar parado desde março. Então, já estamos numa situação periclitante.
Não bastasse isso, recentemente meu pai teve que operar para tirar um tumor e ao que tudo indica, provavelmente ele está com câncer. Além disso o meu pai está no limite de fazer parte do grupo de risco do covid e trabalha com atendimento ao público. Não sei como faremos pra tomar conta do negócio, já que ele provavelmente vai ter que parar de trabalhar pra fazer o tratamento.
A minha mãe por sua vez é aposentada por invalidez. A minha irmã tentou abrir um negócio também mas foi paralisado pelo coronavírus, sendo que ele já não ia bem. Desde o ano passado ela veio com uma proposta deu tomar conta da parte administrativa da coisa e tirar um dinheiro para mim do que entrar, mas a verdade é que ainda não consegui tirar sequer 1 real da coisa pois essa é a única fonte de sustento da minha irmã, então tudo o que eu consegui foi trabalhar de graça e um monte de dor de cabeça.
Eu por minha vez estou trabalhando entre 10 e 14h por dia ganhando um salário mínimo, fora o estresse e ainda tenho cerca de 5 semanas pra escrever o TCC que eu nem comecei pra me formar na faculdade daqui a 2 meses.
A única notícia boa que eu tive recentemente foi um conhecido meu ter me contado que só não se matou porque há uns anos atrás eu liguei e conversei com ele bem no dia em que ele tinha pretendido se suicidar.
Dada a minha situação é difícil não pensar em se matar constantemente. Não que isso seja algo novo, tenho esses pensamentos recorrentes desde os 13 ou 14 anos de idade, mas entre pensar e fazer existe um abismo infinito de modo que eu nunca cogitei seriamente fazer isso. Ainda sim, deixo sempre a opção aberta muito embora eu tenha me decidido a fazer isso só depois dos meus pais e da minha irmã morrerem.
Sendo bem sincero, motivos mesmo pra continuar vivendo eu não tenho nenhum. A única coisa que ameniza um pouco é eu tentar deixar a vida um pouco menos merda para os meus familiares, só que o fato é que eu tenho 28 anos na cara e não consigo nem me sustentar sozinho. Se o meu pai morrer, seja de câncer ou de coronavírus, imediatamente teremos que vender o apartamento e ir morar de aluguel ou com algum parente.
Eu acho que isso tudo é culpa minha, mas no fundo eu sei que não é, já que ninguém é capaz de prever o futuro. Também sei que a minha situação não é tão ruim quanto a de outros, já que eu ainda tenho um teto e comida, mas também sei que a coisa pode ficar feia muito rápido.
Acho que o maior agravante é que eu não tenho sequer 1 área da vida onde eu tenho um desempenho satisfatório. Fracassei economicamente, já que não consigo me sustentar; Fracassei amorosamente, visto que não tenho perspectiva nenhuma de constituir família; Fracassei socialmente pois o meu já pequeno círculo de amizades está se tornando cada vez menor muito pela perda de contato, já que eu não tenho mais como acompanhar os meus amigos com tanta frequência devido à falta de tempo e dinheiro; e a pior de todas, é a sensação de que fracassei como filho. Sim, é verdade, e eu tenho certeza que ninguém nunca vai falar isso, mas não existe nada mais natural que os filhos tomarem conta dos pais na velhice. Infelizmente pra mim, esse tempo chegou e eu não fui capaz de resolver esse problema à altura.
Quem não gostaria de bancar os pais para eles pararem de trabalhar, depois de uma vida inteira de trabalho? No meu círculo social já há pessoas que conseguiriam fazer isso, ao menos durante esse período de quarentena. É inevitável a comparação, mesmo sabendo que cada um é cada um. Eu sempre soube que seria difícil não ficar chateado com esse tipo de coisa quando eu escolhi mudar de carreira, mas está beirando o impossível. Não apenas no aspecto econômico, mas também no aspecto afetivo. Desde sempre a minha família soube que eu era praticamente um autista no quesito de relações sociais, ainda que eu esteja infinitamente melhor do que quando eu era mais novo. O que pega mais, é que no meu íntimo eu sequer considero a minha família como família propriamente dita. Eu entendo que eu tenho um dever moral para com eles, mas não vejo diferença entre eles e os outros seres humanos. É por isso que eu nunca falei eu te amo para eles e nem para ninguém. Não tenho certeza se eu vou chegar a falar isso pra alguém na minha vida, mas tudo indica que não.
Enfim, eu tinha mais coisas pra falar, mas infelizmente tenho que voltar a trabalhar. Desabafar aqui não foi ruim, eu deveria fazer isso mas vezes. Dito isto, eu estou juntando um dinheiro pra me consultar com um psicólogo online depois de quase 10 anos. Eu gostaria de ter dinheiro pra fazer pelo menos 2 meses, mas é difícil achar um psicólogo bom na faixa de preço que eu posso pagar.
Se possível, eu também gostaria de um feedback sobre o texto em si. Eu tenho uma conta anônima no medium e escrever lá, ainda que infrequentemente por falta de tema ou tempo, acabou se tornando uma das poucas diversões que eu tenho, muito embora eu ache que seja difícil alguém chegar a ler até o final, dado o tamanho imenso do texto.
É isso, excelente dia pra vocês.
submitted by throwaway2159861 to desabafos [link] [comments]


2020.04.13 10:50 Kumiyo123 MEUS RELATOS COMO TESTEMUNHA DE JEOVÁ:...

Meu nome é Larissa e eu tenho 23 anos hoje, minha vida com os TJs começa quando eu tinha 2 anos, não me lembro direito da época, Mas a minha mãe tinha entrado para a religião e logo quase toda a família entrou, principalmente o meu avô. Desde pequenos, fomos ensinados sobre o Armageddon e sempre nos botavam medo para assim seguir Jeová, eu sempre via as outras crianças comemorando aniversário e se divertindo, comendo doces que pareciam ser bons e eu nunca tive isso, apesar de na época eu não questionar a religião, eu sentia algo na época, como se eu quisesse me libertar. Queria comemorar todas as festas natalinas, a família reunida, coisa que nunca tivemos na família porque mesmo sendo testemunhas de Jeová, eles agiam como a encarnação do demônio, falavam mal do outro e constantemente cometiam pecados, ou eram hipócritas, isso não era só na minha família, ou na assembleia dos TJs, mas no mundo inteiro. Sempre fui orientada a não conversar com pessoas de outras religiões, até quando eu tinha 12 anos e um menino de 15 anos me salvou de ser atropelada por uma perseguição policial, eu fui conversando com ele até minha casa, e quando cheguei lá meu pai viu e expulsou ele, bem bravo, nunca passei tanta vergonha na minha vida, ele me esculachando, a família toda de platéia lá fora e os vizinhos vendo aquela família que nunca falava com eles, colocando seu verdadeiro demônio para fora. Por causa dessas e outras coisas, eu desenvolvi algumas síndromes e problemas que tenho até hoje, principalmente em questão de socialização, bem como o medo que sentia de conversar com outras pessoas por achar que representavam tudo de ruim no mundo, e que Jeová Deus não permitia. Lembro de uma festa na escola (na época os TJs eram novos na nossa cidade, até esse ponto uma escola das TJs havia sido criada na cidade mas meu pai estava tendo problemas burocráticos para me tirar de lá) e era uma festa tão linda, de páscoa, uma empresa nos deu ovos de chocolate e mostrou alguns vídeos e fotos sobre união em família e o que Jesus queria para a gente, no final cantamos o hino, porque o prefeito estava lá.. Cheguei em casa e meu pai descobriu que eu participei de festas pagãs e também cantei o hino nacional, ele me bateu e até hoje não esqueço toda a humilhação que ele me fez passar 😭😭 eu me escondi de baixo da cama, então ele tirou o colchão e ficou com a ponta da vassoura batendo em mim de baixo da cama, quebrou até meu dedo, e minha coluna ficou doendo por 2 meses, esse foi o estopim para logo logo meu pai me tirar da escola pública. Aos 14, conheci o movimento homossexual, a minha religião o abominava, mas eu achei uma luta justa pelos direitos iguais, e me lembrei do que Jesus disse no telão da escola na páscoa "eu amo a todos como iguais", e comecei a questionar se a bíblia foi algo criado por humanos para estabelecer seus controles sob outras pessoas e que Jesus não queria isso. Aos 15, meu irmão nasceu com 28 semanas e seis dias, ele tinha 1.2 kg, e precisou ser internado e precisando de transfusão de sangue, minha mãe não deixou.. e abriu um processo jurídico contra os médicos que queriam a todo custo impedir que o bebê morra, porque eles disseram "eu entrei para este trabalho para salvar vidas, o bebê que não tem chance de sobreviver sem o sangue, ele não tem consciência" e então no meio do processo jurídico que ficou demorado, ele morreu.. Foi uma péssima experiência, a família toda chorando, e foi aí que eu comecei a ter raiva da religião por ter matado meu irmão. Com o choque, fomos pro Japão quando eu tinha 15 anos, por causa de um amigo do meu pai, mesmo contra a minha vontade. Após isso, ninguém parava em casa a não ser eu, porque minha mãe e meu pai passavam o dia todo trabalhando na fábrica de confecção do amigo dele. Foi aí que eu conheci um garoto que era Brasileiro, ele me ajudou a ver o mundo de forma diferente, o que antes era medo e vontade de ir ao paraíso para finalmente a minha dor acabar, se transformou em amor, carinho, afeto, preocupação, eu tinha muito ciúmes dele na época por ele ser popular (nem tanto, mas como eu era extremamente anti-social eu achava), mas isso não dava briga, só fortalecia nossa amizade, ele me ensinou algumas coisas do idioma local também. Até que um dia eu e ele transamos, eu decidi contar para a minha mãe porque eu confiava nela, ou pelo menos o que os "outros" falavam sobre relação materna, aí depois disso, minha vida chegou ao inferno.. Ela começou a me ignorar, nem meu pai entendia, ela começou a delegar as tarefas de casa todas para mim, tendo dias que até mandava a empregada ficar em casa. E então ela decidiu contar para as testemunhas de Jeová que haviam no Japão, por julgamento, decidiram que eu deveria ser expulsa... E bem, 6 meses no Japão apenas e minha mãe me expulsou de casa, mesmo sem eu saber o idioma 😢 comecei a viver na rua, meus familiares até me viam na rua e me ignoravam, e eu me escondia do garoto que eu amava por achar que ele iria me julgar como todo mundo, até que um dia (4 dias após eu ter sido expulsa) ele me encontrou quando eu não estava vendo e me acolheu, me ofereceu até um emprego na fábrica do pai dele alguns anos depois, hoje em dia, ele é o meu marido e a pessoa com desejo ter 2 filhos 🥺❤️ viajamos o mundo, eu finalmente me libertei da religião, e conheci outras ótimas... Um tempinho depois, eu voltei a visitar meus parentes que não eram TJs, e foi aí que eu percebi que Jesus Cristo tinha dito "ame o próximo como ama a si mesmo" e as TJs não ensinavam isso, ensinavam a abandonar quem não era da religião, abandonar os familiares, aonde que isso é amor??? O problema é que muitas vezes testemunhaa de Jeová convertem pessoas vítimas de algum sofrimento na vida mostrando versículos da Bíblia específicos, mas não mostram todo o resto, que é o amor de Jesus Cristo, o seu principal ensinamento, após... Só tive um pouco de dificuldade para entrar no mercado pois passei a vida toda estudando a bíblia, e a escola pública era muito ruim, ainda mais numa cidade do interior. Hoje eu moro no Chile com meu marido, falamos 4 idiomas (inglês, português, espanhol, francês) e estamos planejando ir para a Austrália para assim nos casarmos e sermos felizes para sempre, e esquecermos o passado 🥰❤️
submitted by Kumiyo123 to desabafos [link] [comments]


2020.02.02 07:02 Error_Wolf47 Eu me odeio... Fazer o quê?

Bem, eu não faço idéia do porquê que eu estou aqui, criei uma conta só porque eu vi uma postagem... whatever... Ultimamente tenho tido umas crises, eu não sei se é Depressão, ansiedade ou frescura — provavelmente a terceira opção. — mas, eu quase não estou conseguindo fazer nada. Eu sou estudante, e estou de férias porém, como qualquer filho responsável e obediente, faço as tarefas de casa e ajudo minha mãe e meu pai com o que precisam; mas acho melhor começar do começo... Não quero revelar minha idade, sou adolescente e estou cursando o ensino médio, sou levemente introvertido porém, me coloque em um grupo que me identifico e quero toda a atenção do mundo enquanto eu falo. Se eu utilizar o verdadeiro significado da palavra "amigo", companheiro que vai sempre tentar me ajudar nos momentos difíceis, eu não tenho nenhum mas, é claro que tenho vários colegas na qual converso e jogo jogos eletrônicos via internet juntos. Acontece que, como eu falei antes que não tenho muitos amigos, eu não tenho praticamente empatia nenhuma por ninguém, eu não consigo me colocar no lugar da outra pessoa. Pra mim, um conselho amigável e um xingamento forte não são de calibres tão distantes. Okay, acabei me distanciando do assunto... Eu sou muito bipolar, o que torna essa característica um pouco mais relevante, já que não me seguro quando estou bravo e, quando estou calmo ainda pareço grosso. Eu não tenho culpa disso, eu simplesmente penso comigo mesmo: "Como assim? Eu não entendo! Eu não falei nada errado." Coisa que para outra pessoa seria bem pesado, assim como piadas de humor negro que eu faço. Eu me sinto extremamente culpado por isso, eu tento mudar, já fiz várias "experiências" para melhorar — com experiências, quero dizer: conversar com pessoas na internet de diversas maneiras diferentes para ver qual é a menos grosseira. — Motivo número um explicado, agora falta o resto... Eu sou um pouco inteligente, até demais. Em alguns testes de QI, tipo, uns dez, todos deram acima de 140, sendo este o menor valor e 155 o maior. "São testes de internet, não relatam coisas reais." Sim, foi a pior forma de começar o parágrafo. A escola é o ambiente que eu mais gosto e odeio. Porque eu mais gosto? Estudo, as aulas. Porque eu mais odeio? Social, os colegas. Well, eu sou bom em matemática, tanto é que eu tirei, literalmente, doze notas 10 seguidas, sendo três para cada bimestre. Eu também gosto de ciências, agora como física e química, amo do mesmo jeito, e línguas. Eu aprendo extremamente rápido, depois de prestar na explicações dos professores e realizar as atividades eu já tenho decorado para o resto do ano aquele conteúdo específico. Uma prova é que eu estou escrevendo naturalmente esse texto, não estou forçando. Até aí, okay. Família legal, convívio mais ou menos, aluno exemplar. Não. Eu odeio ser inteligente. Eu odeio ser eu mesmo. Eu odeio a mim com todas as minhas forças. Sério, se fosse só isso tudo bem, um psicólogo ou menos já ia resolver — mas o retardado aqui tá escrevendo isso e nem procurou um médico! — mas, tem que ter a cereja do bolo. Como se não bastasse o ambiente que eu mais gosto ser tedioso: esperar a próxima atividade, ajudar o colega, terminar por primeiro a prova; eu não consigo conviver comigo mesmo. Eu tento controlar meus impulsos mas, não consigo, dou um corte seco, ofendo alguém. Porém, deixa eu voltar para o assunto escola. Eu não faço esforço pra nada, fico jogando Battle Royale no meu PS4 em casa o bimestre inteiro, durmo tarde e acordo cedo, fico desenhando nas atividades, e o que? Nota 10, nota 9! "Todo mundo tirou abaixo de 7, menos dois alunos, fulana 7 e Wolf 10. Tô cansado disso, até na prova do instituto federal, você tem noção? Na prova do instituto federal eu não estudei nada, zero horas, fiquei o ano inteiro jogando Video Game e eu faço a prova: dezessete de vinte questões, e todos os meus colegas acertaram dez, oito, três perguntas, e eles acrescentaram: "Estava difícil para um inferno!" E eu nem hesitei em responder nenhuma pergunta. Outra prova difícil, da OBA, fiz de olhos vendados e acertei 17 das 18 e ganhei medalha de ouro, primeira vez na olimpíada. Eu não mereço, não, pelo contrário, eu nem devia ser cogitado para ganhar Altas Habilidades na genética. Eu simplesmente não entendo, não entendo porque eu, que tem os sonhos mais fracos, nenhuma ambição e que desperdiça a vida fazendo nada tem isso e outra pessoa não tem. Porque justo eu? Aprendi a tocar piano sozinho, sou quase fluente em inglês e nunca fiz curso, estou aprendendo japonês e programação, e faço desenhos e umas pinturas de vez em quando. Eu não consigo entender. Até aí, frescura clássica, eu já tô cansado de fazer drama, chega! Bem, como eu fico entediado a única coisa que me deixa entretido ou é conversar com alguém ou irritar alguém, e sabe na desgraça que a segunda opção me fez, não é? Eu me odeio tanto por ter esse pequeno lado sádico, mas eu me odeio mais ainda porque eu sem querer machuco as pessoas e eu faço nada como se eu não me importasse com as outras pessoas mas, não importa, não importa se é um empurrão ou uma discussão, cinco segundos depois eu só queria gritar "desculpe-me" ou "me perdoe" mas eu só seria fraco sendo o cara que pede desculpa a cada cinco minutos. Já teve milhares de vez que qualquer coisa que eu fizesse de errado eu queria pedir desculpa. "Me perdoe por ser ruim; me perdoe por ser falho; me perdoe por existir". Eu início uma discussão e quando eu perco eu continuo para dar um "empate" e eu esperar me sentir satisfeito com o resultado, mas a cada frase que eu recebo eu percebo que tudo isso é em vão e eu tento segurar o argumento apenas para não "perder" e mostrar que sou idiota ou fraco. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu repeti as frases na minha cabeça: "Você não vale nada!", "O que você está tentando provar?", "Desista!". Eu não gosto de nada do que eu faço. Eu faço um desenho ruim e uma pessoa fala: nossa, que incrível! Eu faço uma música chata e minha colega fala: que música legal! Eu conto um projeto de Fanfic que eu tinha só que bem ruim e o pessoal comenta: legal, adoraria ver essa história! Eu tenho mil projetos e eu não continuo nenhum, eu dou o meu melhor mas eu não consigo ficar satisfeito com o "meu melhor". Eu dou corpo e alma pra fazer tudo e não chego no resultado que eu quero, e o resultado que eu obtive, foi apenas um fracasso, tempo jogado fora, assim como qualquer coisa que eu faço na minha vida. Visto de fora parece que eu sou bom em muitas coisas mas, não, eu sou ruim em tudo o que eu faço, e isso não vai mudar, não importa o quanto eu tente. Tudo o que eu faço é desperdiçar água chorando de madrugada com o sono desregulado enquanto me encho de comida tentando encher esse falso vazio por afeição que eu nunca obtive, apenas esperando a morte me levar porque eu não tenho coragem de fazer um ato covarde...
submitted by Error_Wolf47 to desabafos [link] [comments]


2019.12.23 15:25 GeddyLee15 A coisa que mais me desanima no momento, e como parar esse fenômeno?

Amo canais de ciência, tecnologia e informativos em geral. Passo horas debulhando Kurzgesagt, Veritasium, Vsauce, Practical Engineering e afins. Mas, se a playlist de crise existencial do Kurzgesagt não fosse suficiente, outro fator é contribuinte.
Esse ano fizemos tantas descobertas científicas importantíssimas. A primeira foto de um buraco negro, uma foto da distorção do espaço-tempo, descoberta das ondas gravitacionais, fora tudo o que a gente já sabe e especula sobre a ciência, medicina e o espaço. CRISPCas9, avanços em engenharia genética, origens de tudo, possibilidade de vida em outros planetas, mecânica quântica. É mesmerizante e até assustador.
E aí você termina de ver tantos vídeos e ler sobre tanta coisa do assunto, entra na tl do Facebook ou outra rede social e se depara com alguma notícia do governo ou do mundo. Terraplanistas, cortes na educação e na ciência, alguma afirmação esdrúxula de alguém como o estimadíssimo presidente ou seus ministros qualificados, e eu fico pensando. A ciência merece esse destino? Eu sei que dá pra filtrar bastante o conteúdo do que você consome na internet, mas não são afirmações ou atitudes escrotas por si só. Estão atingindo a nós, e o nosso futuro, diretamente. Um pesquisador está mais desvalorizado que um Uber (sem querer diminuir qualquer ocupação/profissão), estudantes e futuros pesquisadores, médicos, engenheiros não têm certeza se conseguirão concluir seus cursos, e nem se vai ter empregabilidade quando concluírem.
Como podemos salvar este futuro? Futuro pesquisador, o que você está fazendo pra reverter este quadro?
submitted by GeddyLee15 to brasil [link] [comments]


2019.11.25 20:33 Tiagodias01 Pastos

É meu primeiro conto que realmente termino
Escrevo neste papel os pensamentos, já estou cansado de pensar e pensar sem escrever, pois sim, não possuí oportunidades nas quais pudesse ter o hábito de ler e escrever, mas como só escrevo para mim mesmo e para me lembrar, não me importo com isso:
Nasci aqui, minha mulher também, aqui jazem aqui meus pais, e os pais deles, foram velados pelo Padre Manoel Ferreira Cruz em linda cerimônia feita na fazenda, em latim, ele pronunciou lindas palavras, ou lindas elas soavam, pois ninguém as entende exceto ele, mas como meu pai pediu que o funeral dele fosse desse jeito, assim o fizemos. Meu pai não sabia latim, minha mulher chorou mais do que eu, ela amava meus pais, eu a amo. Desceram o caixão lentamente, não vi meu pai, olhava os pastos.
Esses homens que gritam distantes, longe da vista, encontram-se livres na sensação notável na qual se mostra o convívio humano. Posto isso, percebe-se nos homens uma vontade de aparecer mais do que os outros mas ainda se manterem normais, pois ser normal é não se destacar na multidão de caras e pensamentos que rondam as cabeças, e apenas concordar.
Este domingo estive na feira, minha mulher esteve doente, não que seja coisa grave, mas decidi fazer o papel de um bom marido e ajudá-la no que necessitava. Isso pôs-me pensar, qual que será o verdadeiro motivo do casamento, se não mostrar e legitimar perante a deus e homem, que duas pessoas estão unidas no sagrado matrimônio, há algo mais nessa união que mereça um casamento se não um simples apego, cuidado e amor. Se é por amor, as pessoas já não se amam antes de se casarem, não seria esse o motivo, pois elas se amam, mas se elas já se amam por que sentiriam o dever de legitimá-lo, coisa íntima que é o amor. Comprei gengibre, fiz-lhe um chá.
Rogério, o homem dos ovos, vendeu-me hoje uma dúzia de ovos de galinhas d’angola, convenceu-me ao dizer que tinham um gosto mais forte. Essas, ele disse eram especiais, vieram lá dos lados de barreiras, os ovos eram pontilhados, minha mulher comentou que parecia que a galinha tinha posto o ovo cagando. Tomei um café da manhã reforçado, por nenhum motivo aparente além do de querer comer mais do que devia, isso alegrou a minha esposa, alegrou-me também.
Minha esposa se manteve na cama por um bom tempo, este que nos definha e corrói nossa memória. Cingi-a de vermelho o rosto branco, ao beijá-la na aurora. Cansado, preparei-nos um café, preto, forte, robusto, falei por horas enquanto ela se manteve na cama. Minha senhora minha esposa, poderia se pronunciar, há tempos que não te ouço, Desculpe-me meu marido, estou cansada, a doença tomou-me por completo.
Os dias passam e o pensamento se estende ao sentar-me aos meus portais. Pernas esticadas escrevendo, ou lendo, mas pensando em minha esposa e nos beijos à aurora. Me faltava a coragem de chamar ajuda, todo homem deveria ser capaz de cuidar da sua mulher.
Às pedras, do meu jardim. Eu me sinto um homem fadado, fadado além de todas as outras coisas que um homem pode estar fadado a ser, me sinto fadado à estar morto, e quando morrer, morrerei, debaixo das pedras, do meu jardim.
Minha esposa não é capaz de ter filhos. Ela se sente uma mulher falha, tenho que relembrá-la toda manhã que não. Eu amo, mas duvido. A doença está piorando, sento-me ao seu lado na cama. Será que viverei para ver nossos filhos?, Claro, com certeza.
Já faz dois meses que ela não sai da cama, constantemente chama por sua mãe. Já não olha nos meus olhos, se pergunta quem eu sou e lhe respondo. Sou eu, seu marido. Ela cala e parece-me confusa, como se estivesse em dúvida se realmente tivesse um.
O médico, com sua figura austera, manteve-se calmo, não amigável, calmo. O homem, ao qual todos depositavam extrema confiança, assustou-me e ainda mais à minha mulher. Com a sombra dos óculos cobrindo seus olhos examinou minha mulher por inteiro, não me senti ofendido, mesmo nas situações mais grotescas, terminado o processo, ele calmamente fez uma breve saudação e saiu, caminhou até o carro, entrou e tomou seu rumo, sem dizer palavra.
No outro dia voltou, com mais dois ajudantes, puseram-na numa maca e levaram-na, vi o carro lentamente descer a estrada até sumir de minha vista e depois até o pôr do sol, sem me mover, ou dizer palavra.
A mirar os pastos tais, verdes por natureza, semeados de sol pelas nuvens esparsas que por si mesmas também semeavam o céu. Sentei me no barro, a fazer homens, sabia que não o eram, mas queria que fossem. Pois-se o pai que criou-nos foi apenas um homem que fez criaturas de barro, seríamos tão importantes quanto estas. Olho para os céus, sinto vontade de xingar o paraíso, mas pensei melhor, se Deus nos fez à sua imagem e semelhança, por que não faria o próprio mundo que nos cerca à imagem e semelhança do seu lugar no paraíso, ao pensar nisso senti pena do céu, e não o fiz. Uma desolação me preencheu pelo resto.
Jejuei, quatro, cinco, seis dias, ou mais, estava sem fome, ou melhor, sem vontade, minha rotina nesses dias era restrita à sentar nos portais, mirar os pastos. Sofre-se sem ela.
Hoje minha senhora minha esposa morreu. Ou talvez ontem, não sei. Recebi a notícia do médico, ríspido. Esposa morta, enterro, sinceros sentimentos. Não importa, talvez tenha sido ontem.
Sem âncora para me manter preso ao porto da humanidade sentei-me na laje e como essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Logo após o enterro, mirei as pedras, tomei uma nas mãos e bati-a com toda a força na minha cabeça. Vi à minha mulher, caminhando, sobre os pastos.
submitted by Tiagodias01 to rapidinhapoetica [link] [comments]


2019.07.15 00:58 ederribeiro O curioso caso de você

Oi pessoal! Sou novo aqui no sub. Gosto muito de ler e às vezes escrevo alguma coisa. Comecei a escrever este texto em 2016 e ficou guardado desde então. O encontrei faz pouco tempo e resolvi mexer um pouco e publicar (https://medium.com/@ederrf/o-curioso-caso-de-voc%C3%AA-efbc470ced3d). Apesar de escrever por hobby (e muito raramente) quero evoluir e estou seguro que aprenderei muito por aqui!
----

Você abre os olhos. Tudo dói muito. Olha ao redor, está deitado. Não reconhece o quarto nem a cama. Algo se move no canto do olho, há outra pessoa aqui. Com uma voz doce comenta como você dormiu pouco e te pergunta como se sente. Por não saber se a condição de dor é ou não a norma você sinaliza que está tudo bem. Você tem sede, mas não consegue expressar isso. Não há voz. Insiste ao máximo, um máximo que suspeita ser muito pouco. Mergulhado em sede, cansaço e frustração adormece novamente.

Você abre os olhos. Levanta da cama. É uma cama grande, feita para dois, mas ocupada só por um. Vai ao banheiro e lava o rosto. Caminhar demanda um esforço grande, mas você se lembra que era pior quando não conseguia nem sair da cama. Toma café e come uma torrada. Fica com a impressão que comer deveria ser mais prazeroso, talvez um dia seja. Se senta ao lado do telefone, há alguém com a qual lhe agrada conversar. A espera é grande, o telefone não toca, você adormece novamente.

Você abre os olhos. O sofá não é aquele que escolheram juntos, essa não é sua sala. Sai para a rua, há uma padaria próxima. O café é ruim, o que ela faz é melhor. Sente saudades de casa. Saudades do trabalho também. Sem nada para fazer, segue caminhando após o café. Para para descansar em uma praça. A perna dói um pouco. Deveria ver um médico sobre isso, mas não hoje. Tira uma garrafa de metal do paletó e vira um pouco da bebida na garganta. Se embriaga e dorme no banco da praça.

Você abre os olhos. A vê sentada na cama ao seu lado. Ela fita a janela, não há nada lá. A presença dela te incomoda, mas a ela você incomoda muito mais. Bebe um suco e come um biscoito como café da manhã. Tem saudades do café que ela já não te faz mais. Sai para trabalhar. A aposentadoria está próxima e você não vê a hora. O trabalho não te traz prazer algum e você também não traz benefício algum para a empresa, mas ainda assim sai tarde do trabalho. Chegar cedo em casa deixa mais tempo para discussões, é melhor ir ao bar. O plano é só chegar em casa depois que ela estiver dormindo. Você chegará e dormirá também. Dormirá em sua cama e não naquele sofá desconhecido.

Você abre os olhos. Vira na cama e espera ela acordar. Um “bom dia”, um beijo e um “eu te amo”. É assim que você faz com que o dia dela comece. Brigas acontecem, mas não é assim com todo casal? Começar bem o dia é o que importa. Nada pode nos separar. Depois do café é hora de ir para o trabalho. Reuniões. Relatórios. Conferências. E-mails. Fim do dia, hora de voltar para casa. Sua filha te liga para avisar que melhorou da gripe e que o marido dela foi promovido. Você pensa no neto que ainda não tem, mas prefere não tocar novamente nesse assunto agora. Depois do delicioso jantar vem o sono. Hoje foi um bom dia.

Você abre os olhos. Dormiu pouco. Sua filha saiu para uma festa e só chegou tarde da madrugada. Não há como dormir sem saber que ela está de volta em casa e em segurança. Por mais que sua esposa não deixe de comentar que seu futuro genro é um rapaz responsável, ninguém protege melhor uma filha que um pai. Sua única filha é seu maior tesouro. É sua maior razão de viver. É um amor que quatro letras fazem pouco para representar. E era ela que estava com você no fim.

Você abre os olhos. Foi só um cochilo. Uma mulher não fica grávida sozinha, o pai, se presente, também está grávido. O tempo parece passar mais rápido agora. O casamento foi há pouco tempo e agora falta pouco para que a família se concretize. É menina, vocês já sabem. Às vezes, quando dorme, você sonha. Sonha com a escuridão. Uma escuridão constante e longa, calma e angustiante. A consciência do nada é o que há de pior para se encarar. Quando acorda desses sonhos em geral se lembra de algo que ouviu “o que vem antes do início não é diferente do que vem depois do fim”. Alguém te contou isso. Em um sonho ou fora de um.

Você abre os olhos. Está de ressaca. Fica feliz de perceber como tudo é melhor agora. Come o que quiser, bebe o quanto quiser, o corpo aguenta tudo. Nem sempre foi assim. Por outro lado os amigos de agora são o mais “para sempre” que jamais foram. Eles são hoje mais do que foram antes. Por que nos separamos tanto? Se precisasse de um sofá para dormir hoje teria dez à sua disposição e não apenas um. Carpe diem. O que importa é o agora. Hoje dormirá tarde, ou nem dormirá, a noite não acaba quando se tem amigos.

Você abre os olhos. Sempre acorda bem. Você acha justa a troca das responsabilidades do passado pela inconsequência do agora. Seus pais pegam no seu pé, mas você compreende. Sabe o que é ser um pai. O que é preocupar com um filho. As reflexões de antes são diferentes de agora. Hoje, pela última vez, você viu aquela que foi sua esposa. Você compreende que o tempo passa diferente, que sua ampulheta está mais para lá do que para cá, mas não sente medo.

Você abre os olhos. O mundo parece maior que antes. A cada dia ele cresce mais e você fica menor. Menor e mais leve. As emoções de agora são mais simples. Sua missão está cumprida, seu tempo está acabando e você está em paz com isso. Criança e velho num mesmo corpo. Cada volta do relógio traz a escuridão mais para perto. A concepção está próxima e depois dela você virará imaginação, sonho e desejo. E depois isso também acaba. Escuridão é o que restará, você será parte dela. Assim como é antes do início e será depois do fim.
submitted by ederribeiro to EscritoresBrasil [link] [comments]


2019.04.20 23:39 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 1)

Infelizmente, eu já vi que o sub de escritores brazucas não é lá muito populoso. Eu não sei se um dia alguém vai chegar a ler a introdução da minha narrativa, mas se você está aqui, lendo a minha nota pré-texto, eu peço humildemente o seu feedback. No meu círculo social, rigorosamente NINGUÉM tem tempo e paciência para ler tudo e me dizer o que achou - e eu entendo perfeitamente kkkkkk. E, se me permite um segundo pedido: se for me dar um toque, seja na gramática, seja na minha forma de decorrer a história, faça críticas construtivas, por favor.
E sobre a introdução: se um dia a minha história porventura se tornar um livro - e eu não faço nenhuma questão que isso aconteça - ele se iniciaria após todos os fatos que eu vou narrar abaixo - e estes fatos iriam se revelando no decorrer dos capítulos. Essa introdução tem o único e exclusivo objetivo de dar um entendimento melhor ao leitor atual - você! - sobre o "universo Steel Hearts": contexto histórico da trama, histórico das personagens, eventos que moldam a narrativa e afins. Em um eventual livro, essa introdução seria inexistente e ele se iniciaria no prólogo - o qual eu já escrevi e vou postar aqui também, ainda hoje ou amanhã. E até o momento atual, o prólogo é onde a minha história está empacada :{
Enfim, sem mais delongas: boa leitura! :)
[EDIT: Eu vou ter que dividir a introdução em duas partes, para conseguir postar - eu não sabia que o Reddit tinha um limite de caracteres. Eu vou postar a Parte 1 agora e a Parte 2 eu posto em alguns minutos, logo na sequência.]
Cronologicamente, a trama se inicia em 1412.
Dois jovens oficiais do Reino da Catalunha se perdem no interior de uma floresta de mata densa em uma patrulha rotineira e descobrem uma reserva imensa de ferro, cobre e bronze no interior de uma caverna - esta, batizada de Madriguera de Sán José. Todos estes citados, minérios primordiais para a construção de equipamentos de combate e, no auge da Idade Média, eram de extremo valor. Após apurações mais profundas, foi descoberto que a reserva era muito maior do que se imaginava e se estendia por todo um território, conhecido como Península de Acqualuza. Naturalmente, os olhos de toda a Europa Medieval se voltaram para as terras de Acqualuza, que era território da Catalunha - região onde atualmente se localiza a Espanha - por direito, comandada desde 1383 pelo rei Carlos Villar. O que antes era só mais um pedaço de terra passou a ser visto por Carlos Villar como um trunfo para instalar o seu reinado como a maior potência militar e econômica da Europa e, por tabela, do mundo.
Entretanto, alguns anos mais tarde, o rei da Catalunha foi assassinado por sua própria filha primogênita, Alice Azcabaz Villar, movida pela ganância e pelo poder. Após assumir o trono em 1414, Alice, sem nenhuma experiência como governanta em seus 19 anos recém-formados e se vendo incapaz de colocar ordem em um reino inteiro sozinha, firmou uma aliança com a família Winchestter, uma tradicional linhagem nobre da Inglaterra, que se instalou na Península de Acqualuza e passou a governar a mesma.
É importante ressaltar que Acqualuza não se resumia apenas a ferro, cobre e bronze. Existia um povo vivendo naquela região. Uma civilização. Pessoas que se instalaram naquele lugar por gerações, muito antes de descobrirem que a península, na verdade, era uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro". Os Winchestter foram protagonistas de um governo totalmente corrupto, que durou dois anos. Exportaram minérios, espadas, lanças, escudos, armaduras e afins da mais alta qualidade para os quatro cantos da Europa e enriqueceram de uma maneira rápida e efetiva. Mas, em contrapartida, o povo de Acqualuza vivia na miséria, na pior crise socioeconômica de sua história. A verdade é que a família Winchestter, juntamente de Alice Azcabaz, visavam somente os seus interesses pessoais. Enquanto a fortuna pessoal dos Winchestter decolava, a Península de Acqualuza entrava em rota de colisão, mergulhada na pobreza extrema. Os cidadãos acqualuzenses viravam quarteirões e quarteirões em filas intermináveis para a distribuição gratuita de pães velhos e mofados, para que não simplesmente morressem de fome. E por mais que a educação, saúde, segurança e desenvolvimento social da região fossem precários, o povo parecia anestesiado. Como se estivesse tão fraco e oprimido que sequer conseguisse levantar a voz para questionar os seus governantes.
Era nítido que o governo acqualuzense era instável, o que chamou a atenção dos ingleses. Talvez a maior potência econômica e militar da Europa no momento, a Inglaterra, conduzida por seu renomado exército imperial e pelo jovem e controverso rei Sabino III, estudava maneiras de depor o governo dos Winchestter e tomar as ricas terras de Acqualuza para si - o que soava como justo para os ingleses, afinal, os atuais governantes do território acqualuzense eram dos seus. A carta na manga dos ingleses era o povo de Acqualuza e as condições desumanas nas quais estes viviam. A estratégia, inicialmente, era enviar soldados ingleses travestidos de cidadãos acqualuzenses para o território dominado pelos Winchestter e forçar uma revolta contra o governo vigente. Os forasteiros organizaram tumultos, passeatas e até fizeram ameaças aos nobres, em uma tentativa de fazer o próprio povo fazer o trabalho sujo de derrubar os monarcas do poder por eles, evitando um ataque direto e um consequente e nefasto atrito entre Inglaterra e Catalunha, com quem mantinham uma cordial relação diplomática. Os cidadãos da península até esboçaram uma reação com os primeiros protestos, mas logo adormeceram novamente. Vendo o comodismo que o governo imoral da família Winchestter instalou nas terras de Acqualuza, Sabino III optou por uma solução mais radical: a criação da CAJA.
A CAJA nada mais era do que uma organização secreta, patrocinada pelo governo da Inglaterra e composta por militares do mais alto escalão do Exército Nobre Inglês e por assassinos de aluguel de elite. O objetivo? A princípio era, durante uma noite, impedir que os postes de lamparinas a óleo vegetal fossem acesos na Península de Acqualuza. E assim, na escuridão total, um pelotão seria responsável por invadir, saquear e depredar o castelo dos Winchestter e outro grupo realizaria a maior chacina já vista na Europa Medieval: estes invadiriam casas de cidadãos comuns e matariam a sangue frio qualquer ser vivo que encontrassem pela frente. E, como cereja do bolo, deixariam os corpos ensanguentados expostos nas ruas de Acqualuza para que todos os sobreviventes se deparassem com a tragédia ao nascer do sol. Um mar de sangue inocente que os ingleses julgavam como necessário: com a carnificina, a Inglaterra esperava que o traumático choque de realidade mostrasse ao povo acqualuzense de uma vez por todas que os Winchestter eram incapazes de proteger, tanto os cidadãos, quanto a eles próprios, e enfim compreender todas as consequências da péssima administração dos nobres ingleses em suas terras. A matança tinha data e hora para acontecer: 10 de Novembro de 1415, a partir das 18h30.
E neste contexto, somos apresentados a Constantin Saravåj Mandragora - ou simplesmente Saravåj. Nascido na Iugoslávia, na região dos Bálcãs e a 1200 km de Londres, era filho de uma família de camponeses extremamente pobre e sem perspectiva nenhuma de ter uma qualidade de vida minimamente digna. Todavia, desde os primórdios de sua vida, era uma criança criativa, inteligente e escandalosamente diferente das demais. Assim como seus pais e toda a Europa Medieval, acompanhava pelos jornais o drama do povo de Acqualuza, que ganhou notoriedade internacional. Lendo jornais de origem britânica, Saravåj aprendeu o inglês por conta própria. E foi por intermédio desses folhetos estrangeiros que o menino ficou sabendo da existência de Dúbravska. Um sábio monge acqualuzense que se isolou da civilização em meados de 1360 e passou a viver sozinho em cordilheiras, em um estado infinito de meditação. Era considerado pelos cidadãos de Acqualuza como o mais próximo de Deus que tinha-se na Terra - havia quem dissesse que ele tinha contato direto com o Todo-Poderoso. Quando ficou nítido que não existia nenhum panorama de melhora para o povo acqualuzense da situação de calamidade em que se encontravam, os mais importantes homens da Península de Acqualuza começaram a procurar por Dúbravska, na esperança de que este tivesse a fórmula perfeita para contornar todo sofrimento de seu povo. Quando contatado por meros cidadãos comuns, o monge afirmou que a Península de Acqualuza tinha um período de guerras incessantes pela frente, onde a paz seria impossível e seus governantes seriam seus maiores inimigos. E profetizou que, após o período de trevas, somente uma criança de coração puro e livre de maldade seria capaz de liderar um reinando que enfim devolveria a paz para Acqualuza. Algumas horas mais tarde, no pôr-do-sol, Dúbravska entregou sua alma para Deus e realizou a sua assunção aos céus, e nunca mais foi avisado por ninguém. Quando terminou a sua leitura, Saravåj sentiu um arrepio que correu todo o seu corpo e não teve dúvidas: era ele próprio a criança da profecia.
Alguns anos mais tarde, inconformado com a sua situação e de sua família e revoltado com a forma com a qual os nobres engoliam as classes inferiores, Saravåj foi para a Inglaterra incentivado por sua mãe em busca de mais oportunidades assim que se tornou um homem adulto, em uma árdua caminhada, onde cruzou a Europa em 25 dias até chegar em Cherbourg-Octeville, na Gália, de onde seguiu de balsa para a Inglaterra. Na terra da rainha, pela primeira vez na vida a sorte sorriu para ele - e em dose dupla: o garoto de até então 18 anos entrou e cresceu rapidamente no exército inglês e também apaixonou-se reciprocamente por Camilly Shaw, sem um pingo de dúvidas, uma das mulheres mais atraentes de todo o Reino da Inglaterra: o seu cabelo lembrava os radiantes raios solares, de tão loiro. Também era dona de claros olhos azuis cor-de-mar. A garota era membro e a natural herdeira de uma respeitada família de militares de elite. Pela primeira - e única - vez, Saravåj descobriu o amor. Saravåj filiou-se como peão ao Exército Nobre Inglês em 1413 e à CAJA em 1415. Sua mãe, em uma das cartas que mandava da Iugoslávia semanalmente para Saravåj, foi totalmente contra a ideia de saber que o seu próprio filho derramou o sangue de pessoas inculpadas e encorajou Saravåj a trilhar os seus caminhos longe do militarismo. Sugeriu que mudasse o seu foco para ler livros e adquirir conhecimento, como era o sonho dela. Saravåj sabia que era utopia. Prometeu para sua progenitora que seria a primeira e última vez. O garoto iugoslavo, idealizando o seu futuro com Camilly acima de qualquer coisa, tinha medo da ameaça que os Winchestter poderiam vir a se tornar um dia, sem conhecer o maquiavélico plano do governo inglês de usar a tirania dos Winchestter como justificativa para aumentar as suas riquezas com as terras de Acqualuza.
No dia 10 de Novembro daquele mesmo ano, Saravåj invadiu de surpresa na calada da noite o imenso castelo da família Winchestter, junto de colegas de esquadrão e de assassinos profissionais em uma noite que deveria ser de comemoração para os monarcas, com as suas típicas e corriqueiras festas regadas à música clássica e todo tipo de bebida alcoólica. No saldo final, o garoto, que sempre se destacou com espadas em punhos, assassinou Diógenes Dionisi, o próprio patriarca da família Winchestter. Foram incontáveis as baixas de membros dos Winchestter naquela madrugada. Do outro lado da moeda, o morticínio foi um sucesso: o nascer do sol foi acompanhado pelo choro de homens e mulheres abraçados com os ensanguentados corpos sem vida de seus entes queridos. O vermelho-sangue banhava todas as ruas de Acqualuza, em um cenário tão surreal que sequer parecia realidade. Esta noite ficou marcada por toda eternidade na história como "O Domingo Sangrento".
Com a morte de diversos membros da família Winchestter e com a desestabilização total dos mesmos, o povo de Acqualuza, enfim, despertou. Passeatas violentas que levavam como slogan a frase "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!" eram diárias na Península de Acqualuza. Zoey Deschamps, a viúva de Diógenes Dionisi, assumiu o mandato de seu ex-marido juntamente de Alice Azcabaz, em uma diarquia frágil e que sofria forte desaprovação do povo, em um período de seis meses que ficou conhecido como "Caveirão". A gota d'água foi o suicídio da rainha Alice Azcabaz, a própria pioneira da tomada de Acqualuza, que se enforcou após não suportar a pressão e as ameaças que vinham de seus próprios compatriotas. Com a morte de Alice, Zoey abdicou do trono, fazendo com que a Península de Acqualuza caísse em anarquia total.
Sem o exercício nenhum tipo de governo nas desejadas terras acqualuzenses, a Inglaterra tinha o cenário perfeito bem à sua frente. Contudo, optou por agir com cautela. Sabino III, sabendo que o povo de Acqualuza ficaria acuado e com um pé atrás após a péssima experiência com um governo gringo - e inglês - em suas terras, enviou seus mais competentes diplomatas para a Península de Acqualuza, na intenção de negociar a almejada anexação das terras de ferro, cobre e bronze com os representantes do povo acqualuzense, em um consenso bilateral, que fosse benéfico para ambos os lados, e pouco a pouco, foi colocando os seus oficiais dentro de Acqualuza, na esperança de criar raízes inglesas na península. Na teoria, a Península de Acqualuza se tornaria parte e dependente do Reino da Inglaterra em troca de estabilidade governamental. O povo sabia que eles precisavam de um rei e que a anarquia só iria levá-los ao fundo do fundo do poço. Não haviam muitas saídas que não fosse aceitar o acordo proposto por Sabino III.
Entretanto, havia uma maçã podre neste cesto que atendia por nome e sobrenome: Matiza Perrier. Um prepotente e irreverente gênio nato, inglês descendente de iugoslavos, membro do Exército Nobre da Inglaterra e que participou do saqueamento do castelo da família Winchestter ao lado de Constantin Saravåj no 10 de Novembro. Porém, paralelamente aos seus serviços prestados ao Reino da Inglaterra, Matiza liderava uma organização de interesses sombrios conhecida como Pasárgada. Os pasargadanos tinham um objetivo em comum com os imperiais ingleses: tomar as ricas terras da Península de Acqualuza para si. Mas utilizavam meios diferentes - e mais inteligentes - para isto. A Pasárgada era o grande ventríloquo por trás de cada atitude do reino inglês. Era quem mexia as peças no tabuleiro: manipulou o governo da Inglaterra para que este manipulasse os cidadãos acqualuzenses para que estes derrubassem os Winchestter do poder. No fim das contas, quem se beneficiaria da ausência de um rei na península e sentaria no trono seria Matiza Perrier - e ele tinha meios indefectíveis para isto. Tanto que, subitamente, como um raio que cai sem nenhum aviso prévio, as negociações entre a Inglaterra e o povo de Acqualuza pararam. Quando os nobres, oficiais e diplomatas ingleses se deram conta e olharam para o alto, só puderam assistir estáticos e de camarote a coroação de Matiza Perrier como rei de Acqualuza, que a partir daquele momento passou a ser um reino independente dos catalães, nomeado de "Pasárgada". Zoey Deschamps - agora noiva de Matiza Perrier - arquitetou por trás das cortinas as condições necessárias para que a Pasárgada atravessasse as negociações entre a Inglaterra e o povo acqualuzense e tomasse a península para si. Os cidadãos acreditaram com toda inocência do mundo que um governo novo e, acima de tudo, não-inglês, era o ideal para eles naquele momento.
Quando a notícia de que uma desconhecida oposição havia vencido a disputa pelo trono chegou aos ouvidos de Sabino III, ele ordeu a retirada imediata de todas as suas tropas das terras de Acqualuza. Muitos conseguiram fugir para regiões vizinhas - entre estes, Constantin Såravaj - mas muitos mais jamais puderam voltar para suas casas. No dia 10 de Julho de 1416, a Pasárgada assumiu oficialmente a Península de Acqualuza e o agora rei Matiza fez o seu primeiro discurso ao seu povo. O comandante da Pasárgada proferiu palavras bonitas e se mostrou um defensor ferrenho dos direitos humanos e da inclusão social das classes menos favorecidas, ganhando como recompensa uma salva de palmas ensurdecedora do povo e a simpatia dos mesmos. Mas contradisse-se quando ordenou que seus oficiais, de modo acaçapado, executassem sem dó nem piedade todo homem que tivesse um brasão inglês no peito nos limites de seu território. Saravåj assistiu imóvel muitos companheiros sendo brutalmente esquartejados durante o tumulto, mas foi bem-sucedido em sua fuga. Se instalou, assim como a grande maioria dos ingleses sobreviventes, na pequena vila camponesa de Balistres, pertencente ao Reino da Gália (onde atualmente se localiza a França) e que fazia fronteira direta com a Península de Acqualuza.
Em Balistres, Constantin Saravåj enfim pôde encontrar-se com sua amada após sua fracassada e última missão militar. Após uma longa conversa, Camilly convenceu Saravåj a deixar o Exército Nobre da Inglaterra e se instalar na vila de terras férteis de Balistres juntamente a ela. Muitos ex-oficiais ingleses seguiram o mesmo caminho e colocaram o seu uniforme imperial na gaveta para se dedicar a uma vida pacata em Balistres. Entretanto, o nobre guerreiro iugoslavo ainda se preocupava muito com o que acontecia em Acqualuza. Em seus pensamentos, sentia muito pelo povo daquele lugar. A Pasárgada era uma ameaça muito maior do que os Winchestter. Tanto para a Europa Medieval quanto aos seus próprios cidadãos. Seria uma mentira dizer que a qualidade de vida do povo da península não melhorou muito com o governo da Pasárgada. Mas a corrupção continuava - a diferença é que, desta vez, acontecia de uma maneira inteligente. O grande coringa de Matiza Perrier era o próprio governo anterior à Pasárgada: os pasargadanos não erradicaram a corrupção. Apenas a diminuíram. Ainda assim, muitos recursos que deveriam ser destinados ao povo acqualuzense eram usados visando somente os interesses pessoais de Matiza Perrier e de seus aliados mais próximos. Em uma comparação inevitável com o governo descaradamente ilícito dos Winchestter, a impressão era a de que Matiza estava tirando leite de pedra e levantando a Península de Acqualuza da lama. A astuta ideia era, além de roubar, alienar o povo. Sem instrução econômica, os acqualuzenses idolatravam Matiza, que aumentava a sua popularidade com seus periódicos discursos infestados de falso moralismo. No balanço geral, uma minoria do povo enriqueceu e a grande maioria apenas se tornou menos pobre. Uma sociedade cada vez mais segregada entre ricos e plebeus. Tudo ocorria da forma mais perfeita possível para que Matiza Perrier enfim começasse a colocar as suas peças no campo adversário para dar início a um temível império pasargadano.
Saravåj, um dos pivôs da agora extinta CAJA, até queria fazer algo para que o povo de Acqualuza abrisse os seus olhos mais uma vez. Mas era totalmente desencorajado por Camilly. A garota queria que Saravåj se concentrasse na vida a dois. Camilly afirmou que para ela, pouco importava passar os seus próximos setenta anos como mera camponesa. Que não reclamaria se comesse cenoura, couve e batata todos os dias. A única coisa que realmente importava era estar ao lado de Saravåj. Juntos, vivos e seguros. Os seus futuros filhos poderiam viver uma infância alegre, brincando no campo e longe das guerras e de toda crueldade do mundo, realidade rara na Era das Trevas da Idade Medieval. A imagem de uma família perfeita e unida, mesmo que ainda somente na imaginação e muito longe de ser concretizada, era linda. Sendo assim, tanto Sabino III quanto Constantin Saravåj desistiram das terras da Península de Acqualuza, reconhecendo finalmente, que agora estas mesmas eram de domínio da Pasárgada. A paz reinou em Balistres durante alguns meses. Saravåj e Camilly residiram felizes naquela vila e fizeram inúmeros planos para os próximos anos. As colheitas foram um sucesso. A segurança, estruturada por antigos e competentes soldados do escalão de elite do exército da Inglaterra, era impecável. As crianças tinham acesso à educação de qualidade, tanto militar quanto acadêmica. Após muito esforço de seus residentes, Balistres via em seu horizonte uma década próspera e abundante.
Até que, durante um pôr-do-sol, a Pasárgada, faminta por ampliar os seus domínios, invadiu o vilarejo gaulês. Constantin Saravåj e seus companheiros bem que tentaram defender as suas terras com unhas e dentes, mas em vasta desvantagem numérica, foram facilmente reprimidos. Por mais uma vez, a Pasárgada patrocinou um massacre. Muitas pessoas, leigos e militares, foram mortas. A maioria delas, jovens que partiram deste plano sem concretizar os seus sonhos. Nesse ínterim do ataque do reino de Matiza Perrier ao vilarejo de Balistres, Camilly Shaw feriu-se com gravidade. Após ter uma lança atravessada em seu peito, a garota começou a perder muito sangue. Os remanescentes que restaram da investida pasargadana transcorreram para a metrópole de Nice, uma das maiores cidades da Gália e uma das pouquíssimas que contavam com assistência médica especializada. Novamente, a Pasárgada venceu e incorporou a terra de Balistres aos seus territórios.
Em Nice, Camilly foi uma das primeiras a receber atendimento dos paramédicos. Após uma rápida e sucinta análise, o iátrico afirmou a Saravåj que a hemorragia de sua dulcinéia era um quadro clínico irreversível para a medicina da época. Camilly Shaw deveria ter, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. E como se não bastasse, o médico ainda constatou que a garota estava grávida há algumas semanas e teria o infeliz destino cruel de falecer juntamente de seu bebê. Foram as palavras mais duras que já entraram pelos ouvidos de Saravåj. O garoto sentiu que estavam arrancando-lhe brutalmente a parte mais importante de sua essência. Camilly era motivo pelo qual Constantin Saravåj realizou atrocidades pela CAJA. Pelo qual desistiu da carreira militar. E, acima de qualquer outra coisa, a garota era o motivo pelo qual Saravåj estava disposto a matar e a morrer, se fosse necessário. Durante a caminhada até Nice, Camilly fez com que Saravåj prometesse que, independentemente do que viesse a acontecer dali em diante, ele não iria derramar uma lágrima sequer. Nem por ela, nem por ninguém. Mas o garoto iugoslavo foi incapaz de cumprir a sua promessa quando soube que iria perder a mulher da sua vida e seu primeiro filho de uma só vez. "Se Camilly morrer, por que ou por quem eu tanto matei?", pensava Saravåj, entre lágrimas e soluços. Matrimônio. Sonhos. Planos. Tudo virou pó de um instante para o outro. Em pouco tempo, o garoto estaria sozinho no mundo. Soava injusto, mas já não havia tempo para prantos. Durante a trágica notícia, inúmeros mensageiros da Gália chegaram aos berros em Nice, gritando pelas ruas de maneira histérica para quem quisesse ouvir que a Pasárgada estava invadindo a Gália de modo feroz. As tropas da grande metrópole gaulesa precisavam se organizar para um provável combate e os cidadãos daquela localidade eram jogados à deriva, sendo obrigados a se refugiar como pudessem.
Por mais uma vez, os sobreviventes do morticínio de Balistres teriam que fugir de seus algozes. Até a metade do caminho, Saravåj levou Camilly em seus braços, com a estúpida esperança de que Deus, se de fato se fizesse existente, oniconsciente, bondoso, justo e misericordioso, operasse um famigerado milagre. Até que, nos arredores de Paris, tornou-se inviável continuar carregando uma mulher que havia recebido uma sentença de morte. A consciência de Camilly estava por um fio. Os braços de Saravåj já há muito eram humanamente incapazes de continuar carregando um corpo tão pesado. Os retirantes precisavam se apressar, afinal, eles não sabiam o quão rapidamente a Pasárgada estava avançando. Não havia mais como adiar a despedida.
O garoto, afastando-se do grupo de Balistres, encostou Camilly em uma grande figueira. O casal, na escuridão da noite, era iluminado somente pela luz da lua cheia. A garota, em um último e doce ato, colocou nas mãos de Saravåj um colar dourado, que continha um pequeno pingente em formato de coração. E feito isso, fechou os olhos. Aos poucos, a sua respiração pesada cessou. E, por fim, o seu coração deu a sua última batida - um último "eu te amo" à Constantin Saravåj. Após a morte de Camilly Shaw, que sequer teve a oportunidade de ter um velório digno, os que restaram do vilarejo de Balistres continuaram a sua jornada durante toda madrugada. E só pararam quando alcançaram a cidade de Baden-Wüttenberg no nascer do sol, já no território da Germânia (nos dias de hoje, a Alemanha). Em solo germânico, todos os ex-soldados do Exército Nobre Inglês, entre eles, um abalado Constantin Saravåj, fizeram uma última continência à bandeira da Inglaterra, se despediram e trilharam seus respectivos caminhos.
"Olha bem, mulher. Eu vou te ser sincero. Eu sabia que ia dar errado. Esse mundo está corrompido e a felicidade aqui não passa de uma utopia. Nós vamos ficar longe um do outro por um tempo, mas ainda vamos nos reencontrar. Eu não posso te prometer, mas eu juro que anseio por isso do fundo da minha alma"
Após este calamitoso ocorrido, Saravåj nunca mais foi o mesmo. Tornou-se uma pessoa amargurada. Cheio de ódio no coração, admitiu para si mesmo que a criança da profecia não passava de um delírio. Também se convenceu de que todo o amor que ele podia dar em vida terrena, ou qualquer sentimento positivo que fosse, foram para o túmulo juntamente de Camilly Shaw. O garoto iugoslavo passou a dedicar a sua vida a tecer um planejamento suficientemente perfeito para derrubar a Pasárgada - e em especial, Matiza Perrier - já que estes haviam tirado tudo o que ele tinha de mais importante. Suas terras. Seu povo. Seu filho. O grande amor de sua vida. Dizimar a Pasárgada. Concretizar a sua vingança. É para isso que Saravåj passou a viver. Afinal, tudo o que era lindo. Tudo o que era bom. Tudo o que era perfeito. A Pasárgada destruiu.
submitted by Samuel_Skrzybski to EscritoresBrasil [link] [comments]


2017.04.05 00:31 RicardoBarbosa Pais tóxicos

Boas pessoal do Reddit, começo por dizer que provavelmente este texto vai ser grande, e acreditem que mesmo assim, vai ficar muito por dizer... Eu sou um rapaz com 18 anos e ultimamente não consigo aguentar a situação que se passa em minha casa, acho que é meio óbvio que (infelizmente) vivo com os meus pais, dependo deles para tudo (dinheiro), ainda estou a estudar e pretendo ir para a universidade o que não vai melhorar em nada a situação. A situação que vos vou contar não é algo que começou recentemente, ou um período ou época, mas sim uma situação que se desenrola à vários anos (mais de 10). O que se passa é que os meus pais estão constantemente a discuti berra gritar e não são coisas leves, são coisas do gênero: (se me permitem) filho da puta, cabra, não serves para nada, és uma merda, se eu fosse a ti já me tinha matado, vai-te matar, quem me dera que morresses, vai-te foder, és um estúpido, enorme, etc... E acreditem que estou a poupar nas palavras. Às vezes quando saem de casa dissem "quem me dera espetarme e morrer", ou "vou-me matar". Isto é uma situação que repito se desenrola à vários anos e não tem vindo a melhorar, pelo contrário, além disso, já houveram agressões físicas e o meu pai é uma pessoa desabilitada, não caio em dizer que a culpa é de uma das partes, A CULPA É DOS DOIS, embora pense que a minha mãe seja pior. Já não sei o que é ouvir os meus pais a conversar, ou berram, ou simplesmente não se falam. Revelando mais um pouco, o meu Pai sofre de uma doença rara que faz com que ele esteja reformado por invalidez e que tome várias medicações para as dores, que provocam sono, então o meu Pai passa algumas horas a mais por dia a dormir. A minha mãe não respeita absolutamente NADA no meu Pai e na sua doença, por vezes provoca dizendo que é manha/ fingimento e manda-o ir trabalhar (sendo que dinheiro, graças a Deus, não é um problema aqui em casa, e não está perto de ser). Além disso todos somos domésticos (passamos a maior parte do tempo em casa), ninguém é alcoólico ou drogado, ou seja não é daí que vem os problemas. Ao longo dos anos penso que está situação sempre me afetou direta ou indiretamente, mas só agora realmente compreendo o mal que me faz, por vezes a pior parte do dia é quando chego a casa, quando estou no autocarro só penso para o que vou... Ultimamente tem me afetado nos estudos, quando vou estudar não me consigo concentrar e já tenho passado noites sem dormir, porque quando estou na cama tenho flashbacks com as discussões que são diárias e agressivas (psicologicamente). O problema maior de todos, é que eu amo os meus pais (a sério), e o meu maior desejo é vê-los felizes (mesmo que individualmente), não é pelo que eu ouço e sinto, mas sim por sentir uma imensa pena da situação que eles fazem a eles mesmos, ambos têm uma péssima auto estima (eu também, anyway...), não se tratam, vão ao médico à última em caso de doença, chegam a dizer "não quero saber, se morrer, melhor". Andam sempre tristes, não existe alegria dentro de casa. E a mim têm me afetado imenso, porque agora até eu ando triste e sem autoestima, sinto que não tenho valor, que não preciso de estudar porque não vou ser ninguém... Penso que para sair deste caso seria preciso um divórcio, e digo lhes isso várias vezes, mas eles ignoram e preferem viver nesta situação (por várias razões​ talvez €€). Porém sinto que não aguento mais isto, estou farto, o meu sonho seria viver sozinho, longe disto, os problemas deles estão a afetar me muito, e sinto que não posso fazer nada. Pronto, é isto, um desabafo porque sei que ninguém me pode ajudar... Mas precisava mesmo de escrever isto. Qualquer problema de formatação foi por escrever tudo no telemóvel.
submitted by RicardoBarbosa to portugal [link] [comments]


2016.01.11 06:13 ClayDatsusara CARDIOGRAMÁTICA PÓS-CONJUGAL

Muito apropriadamente, o meu marido tem um VW. Após anos de engodos, mentiras e enganos, descobri que emite muito mais toxicidade para a nossa relação do que o que eu pensava.
Requiro divórcio, e o caso não é para menos! Infração grave e clamorosa das normas de segurança sanitária exigidas pelo Conselho Europeu para os Assuntos Coronário-Sentimentais.
Uma inspeção da ASAE inferirá que o meu futuro ex-marido abusa da falsificação de argumentos amorosos.
Um “amo-te” contrafeito, seguido de promessas de fidelidade compradas nos chineses. E eu a comprar gato por lebre. Já estava tão habituada que nem diferenciava o sabor.
ó faxabor, uma dose de lebre para a mesa 7! A ver se recupero as papilas gustativas superiores.
No fundo, é um alívio, saber que as cartas estão em cima da mesa e ele já não esconde nada nas mangas. Não quero estar com alguém que não me ama antes de tudo e de todos (e de todas, mais convenientemente).
E, de igual modo, não desejo que a pessoa que escolhi para passar os meus dias e a quem confio tudo o que sou, esteja de alguma forma contrariada ou com dúvidas. No momento em que eu hesitar, salto para fora do carrossel. Antes isso que viver em constante agonia.
Quando ele não reparava e não se esforçava para disfarçar, eu conseguia notar o enjoo sintomatizado na sua cara. De cada vez que lhe pedia algo e ele respondia “sim, querida”, eu parava por um momento para assimilar o seu automatismo, não sabendo se devia achar bom ou não termos chegado a um ponto em que ele nem sequer pensava na hora de concordar comigo.
Por certo eu haveria de querer levar a minha avante em qualquer situação, mas o custo final foi este: a indiferença de opinião. Se as tivesse divergentes das minhas, guardava-as para si mesmo, ganhando em rancor aquilo que perdia em liberdade de expressão.
A minha presença na sua vida, facto há muito consumado, deixou de causar sensação alguma. Este corpo estranho (cada vez mais) foi absorvido a tal ponto que o seu sistema de defesa e alerta deixou de se importar.
No ano passado, ele foi finalmente fazer o cardiograma de rotina que o médico há muito lhe aconselhava. Por casualidade, eu estava com ele na sala de exames.
A jeitosa da enfermeira ligou-o à máquina e eu podia ver a evolução gráfica das batidas por minuto do meu marido. Logo que ela saiu da sala para chamar o doutor, os números do ecrã passaram de 100 para 70! Ele ficava fisicamente excitado com a presença dela!
Nem lhe chamei a atenção para o facto. De onde ele estava não conseguia ver o mostrador. Decidi fazer um teste. Desapertei a camisa e baixei o soutien para ele me ver os mamilos.
— O que estás a fazer? - ele disse em semi-choque.
Abri as pernas e subi a saia até meio das coxas.
A pulsação do meu marido nem acelerou um ponto para a amostra.
— Tás maluca! Olha o médico deve tar quase aí a chegar!
Há vinte anos atrás tinha trancado a porta e mandado que me ajoelhasse.
Setenta e cinco b.p.m.
Ou será que ainda lhe conseguia dar alguma excitação? Nem que fosse pelo perigo da situação, pensei.
Reverti ao meu comportamento púdico e deixei-o num estado de confusão, não lhe respondendo aos olhares interrogativos.
Setenta batidas por minuto, de novo.
A porta abriu-se e a grossa enfermeira sorridente, dirigindo-se a ele, disse que o doutor já não se demorava.
Ele assentiu, babando-se como um caracol num dia de outono.
Curiosa, olhei para a máquina.
Noventa.
Bem, contra factos não há argumentos. A novidade da minha presença já se esgotou há muito. Ao menos que me desse de esmola umas palavras carinhosas de vez em quando. Já nem pedia um “amo-te”. Bastava um “gosto muito de ti”, ou, para não abusar da sorte, um “és uma gaja fixe”.
Sei que as enfermeiras gostosas deste mundo lhe prendem os olhos e lhe aceleram a pulsação, mas ele nunca se ia virar para elas e dizer “gosto de ti e da tua companhia, vamos criar algo duradouro, venha o que vier, com vontade e carinho”. Para isso estou cá eu!
Às enfermeiras diria: “cada vez que os meus olhos reconhecem o rácio de 0.7 entre a tua cintura e a tua anca, o centro de recompensa do meu cérebro inunda-me de dopamina”. E o resto seria mecânico sexual de alívio.
Quando lhe tento explicar tudo isto, perdoando-o até por ceder às fraquezas histéricas da libido, ele diz que sim a tudo, como se entrasse por um ouvido e saísse por outro. Que compreende, que eu tenho razão e que sabe que está mal. Mas que não consegue mudar e que é mais forte do que ele.
Eu acho que não é mais forte do que ele. Finalmente começo a perceber que ele consegue fazer a escolha de forma muito consciente. Que pesando os prós e contras, equilibrando a balança, dá-lhe mais prazer prescindir de mim. Não que tenha prazer directo em abdicar do meu carinho ou satisfação em me ver sofrer, mas o prazer que tem ao insinuar-se às outras, e ainda mais ao ser bem recebido, compensa tudo aquilo que o meu peso morto lhe possa fazer de mal à consciência.
É uma batalha que nunca irei vencer. Setenta batidas por minuto não passam no teste.
submitted by ClayDatsusara to escrita [link] [comments]


LIBRA SERÁ PECADO ESTE AMOR! MAIO 2020 Baby Alive Doente vai ao Médico - PLAYING DOCTOR - clubinho da laura eu amo este shipp (leia a descriçao) - YouTube OS INCRIVEIS EU TE AMO MEU BRASIL - YouTube Eu amo este CACHORRO, mas DIFERENTE  Minha História ... Vitamina de abacatecomo fazer vitamina de abacate MI EXPERIENCIA EN CLINICAS / MEDICINA + GIVEAWAY / SORTEO MEDICO Dermatólogo Almería Clínica Martínez Amo - YouTube Punta del Este Ciudad Universitaria: porque eu amo esse lugar!

Meu médico - Eu Confesso

  1. LIBRA SERÁ PECADO ESTE AMOR! MAIO 2020
  2. Baby Alive Doente vai ao Médico - PLAYING DOCTOR - clubinho da laura
  3. eu amo este shipp (leia a descriçao) - YouTube
  4. OS INCRIVEIS EU TE AMO MEU BRASIL - YouTube
  5. Eu amo este CACHORRO, mas DIFERENTE Minha História ...
  6. Vitamina de abacatecomo fazer vitamina de abacate
  7. MI EXPERIENCIA EN CLINICAS / MEDICINA + GIVEAWAY / SORTEO MEDICO
  8. Dermatólogo Almería Clínica Martínez Amo - YouTube
  9. Punta del Este Ciudad Universitaria: porque eu amo esse lugar!
  10. ESTE CHÁ De Louro Com Camomila é UMA MARAVILHA Impossível Não Gostar

Algumas razões que me levaram a escolher Punta del Este como uma cidade para realizar meu grande sonho: ser médica. eu sou nossa este ja e o segundo canal ta se escrever e deixa o life OS INCRIVEIS EU TE AMO MEU BRASIL Este Chá De Louro Com Camomila é Uma Maravilha Impossível Não Gostar Chá é sempre uma ótima escolha e sempre gostamos de tomar um bom chá. Esta opção de chá ... Eu amo brincar, passear, brinquedos e é claro, amo gravar videos. (。 ‿ 。) Hi everyone, I hope you enjoyed the video, we did it with a lot of love. I love to play, to walk, to play and of ... O filme começou e Dina deitou a cabeça no meu ombro. Eu a abracei e a segurei apertado. Hector a tocou com a pata e continuou choramingando. Dina bateu levem... NUEVO VIDEO!! Hola amores, abran esta cajita : Gracias por estar acá SON MUY IMPORTANTES PARA MIII y seguir viendo mi proceso en la vida!! Síganme en mis redes sociales: - Instagram : https ... 🌼LIBRA🌼 SERÁ PECADO ESTE AMOR! MAIO 2020 ... fornece nenhum conselho médico ou legal, a cura espiritual deve ser usada em conjunção com e NÃO substitui a prescrição ou aconselhamento ... Olá galerinhaaaa, preparei a minha vitamina como eu amo abacate, vocês gostam também? Se vocês gostaram desse vídeo, não se esqueça de deixar o seu like e se inscrever no meu canal ♥️ ... Entrevista del Dr Martínez-Amo en Interalmería televisión sobre la campaña de Euromelanoma 2015 y la colaboración con el equipo de fútbol Unión Deportiva Almería Este año el Dr Martínez ...